
A NR-1 — Norma Regulamentadora nº 1, do Ministério do Trabalho — passou por atualizações significativas que incluem, entre outras exigências, a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho: estresse, burnout, assédio moral, sobrecarga e outros fatores que afetam a saúde mental do trabalhador.
Para o empresário, a reação imediata é de alarme: “Vou precisar contratar psicólogo, fazer laudos caros, montar comitê…”
Não necessariamente. Conformidade com a NR-1 é possível — e mais simples do que parece — se você souber o que realmente a norma exige.
O que mudou na NR-1 e o que ela exige de você
As atualizações da NR-1 reforçam a obrigatoriedade do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com foco no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A novidade mais comentada é a inclusão explícita dos riscos psicossociais como categoria a ser identificada, avaliada e gerenciada.
Na prática, isso significa que sua empresa precisa:
- Identificar os riscos psicossociais existentes no ambiente de trabalho (pressão por metas, jornadas exaustivas, conflitos interpessoais, isolamento, assédio);
- Avaliar a exposição dos trabalhadores a esses riscos;
- Documentar esse processo no PGR;
- Implementar medidas de controle que podem ser simples ajustes de gestão;
- Monitorar periodicamente.
O que a NR-1 não exige (e que muitos acham que exige)
1 – Não exige que você contrate psicólogo ou terapeuta para os empregados;
2 – Não exige laudos psiquiátricos individuais dos trabalhadores;
3 – Não exige auditoria externa obrigatória;
4 – Não tem custo mínimo obrigatório estabelecido.
O que ela exige é processo documentado e processo documentado é, antes de tudo, uma questão de organização e assessoria jurídica/preventiva competente.
Como cumprir a NR-1 sem explodir o orçamento
Passo 1: Revise e atualize seu PGR existente
Se sua empresa já tem o PGR (obrigatório desde 2021), atualize-o para incluir o mapeamento dos riscos psicossociais. Isso é feito por análise interna, com a participação dos responsáveis por cada área.
Passo 2: Faça um mapeamento simples de riscos psicossociais
Não precisa ser um processo sofisticado. Um questionário interno anônimo aplicado aos colaboradores, combinado com análise do histórico de afastamentos e reclamações, já cumpre a etapa de identificação.
Passo 3: Documente as medidas que você já adota
Muitos empresários já fazem coisas corretas, pausas regulares, canais de comunicação abertos, políticas de respeito, mas não documentam.
Documentar o que já existe é, muitas vezes, suficiente para comprovar conformidade.
Passo 4: Estabeleça um canal de comunicação interno
Uma caixa de sugestões física ou digital, com registro de recebimento e resposta, já demonstra compromisso com a escuta ativa dos trabalhadores, um dos pilares da norma.
Passo 5: Revise contratos, regimentos e políticas internas
Com orientação jurídica, é possível revisar cláusulas contratuais, regimentos internos e políticas de conduta para que estejam alinhados às exigências da NR-1, sem exposição desnecessária em eventual fiscalização ou reclamação trabalhista.
O risco de não cumprir
Empresas autuadas por descumprimento das NRs podem receber:
- Autos de infração com multas graduadas conforme o porte da empresa;
- Embargos e interdições em casos graves;
- Uso das irregularidades como agravante em ações trabalhistas individuais, especialmente em pedidos de danos morais por assédio ou doença ocupacional.
O custo de não se adequar é, na maior parte dos casos, muito mais alto do que o custo de se adequar com planejamento.
A NR-1 não é inimiga do empresário é uma oportunidade de organização
Empresas com boa gestão de riscos ocupacionais têm menos afastamentos, menos reclamações trabalhistas e equipes mais produtivas. Cumprir a NR-1 com inteligência é, também, uma decisão de gestão.
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Valim Advogados, sua parceira jurídica para empresas que querem crescer com segurança.